Disponível globalmente após o período de acesso antecipado para as edições especiais, EA Sports FC 27 chega ao mercado com a missão de renovar a tradicional franquia de futebol virtual nos consoles e computadores. O novo capítulo aposta em mecânicas defensivas mais manuais, reformulações pontuais nos modos consagrados e a estreia de um espaço social inédito, mas ainda tropeça em vícios antigos de física e inteligência artificial.
Mudanças no gameplay: defesa manual e velhos problemas
No gramado virtual, a jogabilidade apresenta alterações perceptíveis no sistema defensivo. A produtora optou por dar maior peso ao controle manual, reduzindo a eficiência da dobra de marcação automática e valorizando os confrontos mano a mano (1v1). Essa abordagem exige mais habilidade do jogador, embora a passividade da inteligência artificial em determinadas jogadas ainda gere frustração.
Outro ajuste técnico de destaque ocorre nas bolas paradas. As cobranças de escanteio foram divididas em duas etapas distintas: execução (força e direção) e disputa física na área (posicionamento de ataque e defesa). A alteração devolveu a efetividade aos gols de cabeça. Contudo, problemas recorrentes continuam presentes: movimentações que lembram atletas deslizando no gelo, falhas de goleiros em chutes simples, choques bizarros entre jogadores e impedimentos marcados erroneamente quebram o ritmo das partidas.
Por outro lado, a separação entre a jogabilidade Competitiva — rápida e focada em tempo de resposta — e a jogabilidade Autêntica — mais cadenciada e física — está mais evidente, permitindo que cada perfil de usuário encontre seu ritmo favorito. O visual exibe melhorias nos rostos escaneados de atletas renomados e menus mais fluidos, contrastando com modelos genéricos ainda pouco polidos.
The Grounds: inovação frustrada em formato de hub online
A maior aposta inédita do título é o The Grounds, um hub virtual projetado para conectar usuários, explorar cenários e participar de minigames. A recepção inicial traz estrelas do futebol como Kylian Mbappé, Chloe Kelly e até o fictício Alex Hunter. Apesar do apelo visual do mapa com lojas e curiosidades culturais, a experiência transmite uma sensação de vazio.
Como todas as atividades e acessos rápidos aos clubes podem ser acionados via teletransporte direto pelos menus, a exploração do espaço perde relevância. Entre os eventos oferecidos, os confrontos inspirados no futebol de rua (1v1, 2v2 e 3v3) e o modo Rush funcionam bem, enquanto misturas exóticas como o futebasquete e o futebocha entregam mecânicas confusas e pouco atrativas.
Evolução no Ultimate Team, Clubs e Carreira
Ultimate Team e Clubs
No tradicional Ultimate Team, a introdução da Galeria do FUT agrada colecionadores ao oferecer recompensas baseadas no acúmulo de cartas de clubes e ligas específicas. A montagem de elencos (DMEs) foi simplificada e agora aceita itens duplicados, além de abandonar a subdivisão entre cartas comuns e raras, mantendo apenas Bronze, Prata e Ouro. O sistema de microtransações, entretanto, segue como base da economia do modo.
O Clubs ganhou melhorias de qualidade de vida: os Arquétipos já vêm desbloqueados de fábrica e foram criados os Amplificadores, que concedem vantagens temporárias às habilidades, além de marcos que garantem atributos permanentes. Em contrapartida, a Carreira de Jogador permaneceu praticamente esquecida, recebendo apenas o sistema de Rivalidades contra a IA.
Modo Carreira de Treinador
Os aspirantes a técnicos contam com um mercado de transferências redesenhado em colaboração com a plataforma TransferRoom, oferecendo maior dinamismo nos valores de mercado, negociações mais longas e cláusulas aprofundadas. O recurso de Geral Dinâmico agora oscila o nível dos jogadores conforme minutos jogados, moral e preparo físico.
Apesar do acréscimo do Criador de Desafios e de eventos imprevisíveis de bastidores, a imersão sofre com transferências incoerentes da IA e bugs de gestão — como atletas negociados que não conseguem ser retirados da lista de transferências após renovarem contrato.
Panorama de licenças e o futebol brasileiro
No setor de licenciamento, o grande destaque internacional é o retorno da Liga Mexicana completa, embora sem seus estádios oficiais neste momento. Para o público nacional, o cenário é agridoce: a Seleção Brasileira volta a estar presente de forma oficial, mas o Campeonato Brasileiro continua de fora.
Apenas Botafogo e Bahia contam com elencos, nomes e uniformes autênticos, enquanto as demais equipes brasileiras das competições continentais seguem com atletas genéricos. Para agravar o quadro, o Bahia sequer pode ser escolhido para iniciar uma trajetória na Carreira de Treinador devido a restrições nos menus, limitando o uso de seus jogadores apenas ao mercado de compras.
Com nota média de 6.5, EA Sports FC 27 entrega bons refinamentos para quem já é fã assíduo dos modos clássicos, mas falha em consolidar suas principais novidades como adições indispensáveis.



