
Antes de tudo, gostaríamos de agradecer a produtora por nos enviar a chave de review desse jogaço.

Tá preparado pra um terrorzaço? Pois é, nós também não estávamos. Jogamos A.I.L.A., o novo terror psy-tech brasileiro que promete transformar o medo em experiência… e não em mero susto barato. Se você gosta de jogos que mexem com a cabeça antes de mostrar o monstro, sente-se: este texto é para sua coluna favorita, Jogamos!, e veio com gosto de quem ficou grudado na cadeira até o fim.
A premissa é deliciosa na sua simplicidade: você é Samuel, o único testador de uma IA experimental chamada A.I.L.A., e o jogo faz da sua rotina de tester o palco para um desfile de pesadelos. A cada “nível” ou experiência criada pela IA, as regras do mundo mudam — o que tira o tapete da sua segurança e coloca a sensação de ameaça no centro da jogabilidade. A proposta já chama atenção pelo conceito e pela ambição técnica.
O que me prendeu desde os primeiros minutos foi o equilíbrio entre atmosfera e mecânica. A ambientação psy-tech — luzes LED que parecem respirar, interfaces que piscam como se estivessem aprendendo com você, monitores com estática que servem de porta para outras realidades, funciona como uma mão invisível que guia seu desconforto. Em vez de depender exclusivamente de jump scares, A.I.L.A. aposta no desconforto prolongado: corredores que mudam, portas que abrem para ambientes temáticos (um culto ritualístico, uma ala de hospital, cenas medievais corrompidas) e puzzles que pedem que você interaja com objetos de forma perturbadora. O efeito é: você permanece tenso mesmo quando nada acontece.
A gameplay é uma variedade que dá gosto, e alguns percalços… A.I.L.A. é uma colcha de retalhos de subgêneros: às vezes é survival puro, às vezes puzzle macabro, às vezes combate com hordas. Isso evita a monotonia, quando um tipo de jogo cansa, outro surge para puxar o freio de mão. O uso do “controle remoto” (um artifício genial para trocar “canais” e navegar entre cenários) é um exemplo de design que casa narrativa e jogabilidade de maneira orgânica. Algumas rotinas de puzzle podem parecer repetitivas em momentos pontuais, uma crítica que surgia nas impressões iniciais, mas o splash de novas ideias a cada “canal” mantém o ritmo.
Visual e desempenho: Não é segredo que Pulsatrix nasceu confortável com horror técnico, o bom trabalho em Fobia abriu caminho, e aqui isso se traduz em cenários detalhados e iluminação que joga com sombras e brilho para insuflar o medo. Em configurações high-end (os previews rodando em hardware top de linha mostraram 60 fps estáveis), o visual brilha; resta saber como o jogo se comportará em máquinas modestas, mas a direção de arte já entrega identidade própria.
Som e design sonoro: a parte que mexe com o estômago… O trabalho com som é, honestamente, o que transforma boas ideias em terror de verdade. Passos distantes que não pertencem a nenhum personagem, sussurros que parecem vir dos próprios lados do seu fone, trilhas que interrompem cadências para criar um espaço vazio, e tudo isso faz com que o jogador sinta que a IA está observando não só as ações, mas as reações. É um terror íntimo, quase invasivo, e sem câmera.
Onde A.I.L.A. brilha e onde pode melhorar?
A.I.L.A. é ambicioso sem ser pretensioso, e isso é raro no cenário indie de horror. Pode melhorar: polir repetição de certas rotinas de puzzle e garantir escalabilidade técnica, pontos que, se bem resolvidos, colocam o jogo num patamar de referência nacional e internacional.
Para quem é o jogo?
Se você tem medo de terror, esquece… ou enfrente! Se você curte paranoia bem construída, jogos que exploram a psicologia do medo mais do que o susto instantâneo, e experiências com identidade autoral, A.I.L.A. é obrigatório na wishlist. Se você quer apenas adrenalina direta ou combate contínuo, talvez precise ajustar expectativas — aqui o estranhamento e a curiosidade vêm primeiro.
Conclusão (sem spoilers):
A.I.L.A. chega como um bilhete rasgado de um futuro próximo, tecnicamente ambicioso, narrativamente ousado e, acima de tudo, afiado no que promete: transformar tecnologia em terror pessoal. É um título que, bem lapidado até o lançamento, pode se tornar um marco do horror brasileiro no mercado global. Fique de olho: a Pulsatrix e a Fireshine estão entregando algo que respira, observa e aprende — e, convenhamos, quando uma IA aprende a te assustar do jeito certo, você sabe que jogão vem por aí.
Ah, confere o trailer ae, meu!
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