Imagens impressionantes de um labirinto aéreo de fiações urbanas chamaram a atenção nas redes sociais ao retratar uma realidade extrema de desorganização infraestrutural. O registro, feito na cidade de Mandaluyong, localizada na região metropolitana de Manila, nas Filipinas, expõe centenas de cabos sobrepostos que se cruzam de forma caótica entre postes e fachadas, tornando quase impossível distinguir os pontos de início e fim de cada linha.
O fenômeno conhecido como fiação espaguete
A situação ganhou repercussão após um morador local compartilhar as fotografias na internet, descrevendo o cenário como “spaghetti wires” (ou cabos espaguete). Mesmo habituado ao cotidiano do município asiático, o próprio autor das imagens relatou ter ficado espantado com a densidade da estrutura, que cria verdadeiros blocos suspensos de fios que bloqueiam a paisagem urbana.
Telecomunicações respondem pela maior parte da desordem
Embora a imagem cause receio imediato de acidentes elétricos, especialistas apontam que a grande maioria daqueles cabos não transporta eletricidade. O volume maciço é composto primariamente por redes de telecomunicações, como linhas telefônicas e serviços de internet.
O acúmulo descontrolado tornou-se um debate recorrente no país, motivando intervenções do poder público. Em Mandaluyong, existe uma legislação específica voltada a sanar a questão. O texto legal determina a retirada de fios inoperantes ou redundantes e obriga a integração das redes ativas a um sistema organizado, autorizando a remoção sumária de estruturas que causem riscos ou obstruam o tráfego urbano.
A realidade brasileira e a disputa por espaço aéreo
O cenário asiático guarda fortes semelhanças com o que ocorre nas cidades brasileiras. Com mais de 80% dos acessos de banda larga fixa no Brasil funcionando por meio de fibra óptica, a corrida das operadoras para expandir a cobertura gerou uma disputa acirrada por espaço físico nos postes.
A infraestrutura nacional convive frequentemente com diferentes gerações de tecnologia agrupadas em um mesmo ponto: fiação de cobre antiga, cabos coaxiais de TV por assinatura, fibras modernas e conexões diretas aos imóveis. Além disso, parte do volume aparente corresponde a reservas técnicas mantidas pelas empresas para manutenções emergenciais.
Ainda assim, a presença de instalações clandestinas ou abandonadas continua expressiva. Apenas no primeiro bimestre de 2026, concessionárias de energia recolheram mais de 14,1 toneladas de fiação irregular durante vistorias realizadas na Região Metropolitana de São Paulo, evidenciando que a gestão do espaço aéreo permanece como um dos principais desafios das metrópoles globais.



