A escassez de mão de obra qualificada desponta hoje como o principal entrave para a expansão e o amadurecimento de projetos de inteligência artificial (IA) no ambiente corporativo. O diagnóstico foi apresentado por Paula Bellizia, vice-presidente da AWS para a América Latina, durante o AWS Summit São Paulo 2026, realizado nesta quinta-feira (3).
O descompasso entre a procura por vagas e a formação técnica
A busca por profissionais destinados a posições ligadas à inteligência artificial caminha para ser quase três vezes superior à média das contratações no mercado de trabalho geral. Em contrapartida, a velocidade de preparação desses profissionais avança apenas duas vezes acima do ritmo das demais competências técnicas, gerando uma equação que não se equilibra.
Esse gargalo já reflete diretamente nas estratégias das companhias: metade dos líderes de negócios identifica a falta de colaboradores qualificados como o maior obstáculo para expandir suas iniciativas. A situação remete aos desafios enfrentados durante o início da computação em nuvem, mas agora em uma proporção substancialmente ampliada.
Impacto amplo em quase 70% dos empregos
A transformação gerada pela nova fronteira tecnológica não ficará restrita aos setores de engenharia de software e tecnologia da informação. Projeções apontam que cerca de sete em cada dez ocupações passarão por transformações provocadas pela IA, o que exigirá adaptação em praticamente todos os departamentos e níveis operacionais das organizações.
Pilares essenciais para além da capacitação profissional
Embora o treinamento corporativo seja urgente, investir apenas em cursos e formação não é o suficiente para sustentar a escala de soluções inteligentes. A sustentação de projetos robustos requer infraestrutura sólida e processos bem consolidados, tais como:
A modernização de sistemas legados, o uso estruturado da nuvem, a governança e qualidade dos dados e uma estratégia rígida de segurança da informação.
No contexto latino-americano, essas barreiras se somam a entraves regionais, como descompassos nas legislações locais e estágios desiguais de maturidade tecnológica entre os países. Sem superar esses gargalos simultaneamente, o mercado corre o risco de travar e não atingir a geração de valor esperada da tecnologia.
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