Após um desgaste político intenso, forte reação do mercado e pressão massiva dos consumidores de tecnologia nas redes sociais, o Governo Federal decidiu recuar. O polêmico aumento do imposto de importação, que pretendia taxar milhares de produtos sob a justificativa de “proteger a indústria”, foi oficialmente anulado.
A decisão partiu do Comitê Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Camex/Gecex) e reverte as tarifas para itens críticos do ecossistema de tecnologia. Segundo informações confirmadas pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), a alíquota de 15 produtos fundamentais de informática e telecomunicações retornará aos patamares anteriores, anulando o aumento abrupto que já começava a inflacionar o varejo nacional. Entre os contemplados estão smartphones e notebooks, que voltam a 16%, além de gabinetes com fonte de alimentação, placas-mãe, mouses, mesas digitalizadoras e unidades de memória SSD, que retornam à alíquota de 10,8%.
A lista completa de produtos beneficiados pode ser consultada nesse link.
Além do recuo cirúrgico nos eletrônicos de consumo em massa, o governo foi além e utilizou o mecanismo de ex-tarifário para reduzir a tarifa a zero para 105 produtos classificados como bens de capital e informática, uma saída técnica que permite ao Executivo corrigir o curso sem precisar admitir publicamente o erro.
Vale recordar que a norma responsável pelo aumento havia sido a Resolução Gecex nº 852/2026, assinada pelo vice-presidente Geraldo Alckmin, que acumula a pasta do MDIC.
Queda nas pesquisas e o pânico no Planalto
Mas o que motivou uma mudança de rota tão brusca em questão de dias? A resposta não reside apenas no bom senso econômico, mas numa severa crise de popularidade e no instinto de sobrevivência política do Palácio do Planalto, que entrou em “modo de contenção de danos”.
Pesquisa Quaest divulgada neste mês revela um cenário de pressão crescente sobre o Planalto: 49% dos brasileiros desaprovam o governo Lula, contra 45% de aprovação. O índice de aprovação oscilou negativamente de 47% em janeiro para 45% em fevereiro, enquanto a desaprovação se manteve estável em 49%. É nesse contexto de divisão e fragilidade política que o “tarifaço” dos eletrônicos caiu como uma bomba, dentro e fora do governo. Ministros e auxiliares do presidente estabeleceram imediatamente um paralelo perigoso com a famigerada crise de taxação do Pix, e a conclusão foi unânime: a sangria política seria tamanha que a revogação tornou-se a única saída viável para evitar que o desgaste perante os eleitores jovens e a classe média se consolidasse de forma irreversível.
Na quarta-feira (25), O Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, já havia dado sinais de que isso poderia acontecer. Ele afirmou que o Ministério do Desenvolvimento (MDIC) poderia fazer ajustes futuros e até zerar a tarifa temporariamente se ficar comprovado que a medida está a prejudicar setores sem produção nacional equivalente.
A pressão da oposição no Congresso
A pressão institucional também pesou. A oposição chegou a protocolar o PDL nº 42/2026 (Projeto de Decreto Legislativo) no Congresso Nacional para anular a portaria à força, sem depender de boa vontade do Executivo. A iniciativa foi encabeçada por deputados do Partido Novo — entre eles Marcel van Hattem, Ricardo Salles e Adriana Ventura —, e sinalizava que o governo poderia sofrer uma derrota legislativa humilhante caso não agisse primeiro.



