Vendas do PS5 caem 46% em um ano após reajustes de preços

A Sony fechou o quarto trimestre fiscal com uma queda expressiva nas vendas do PlayStation 5. A empresa vendeu 1,5 milhão de unidades do console no período, contra 2,8 milhões no mesmo intervalo do ano anterior — uma retração de 46%.

A queda ocorre após dois reajustes de preço do PS5 em menos de um ano. Em março, a Sony citou “contínuas pressões no cenário econômico global” para elevar o preço mais uma vez, alteração que também atingiu o Brasil. Por aqui, o preço base do videogame passou de R$ 4.499 para R$ 5.099.

À época, a empresa não detalhou quais seriam essas pressões. De acordo com o The Verge, a combinação de preços mais altos, componentes mais caros e menor disponibilidade de memórias explica a perda de força nas vendas.

Crise de memória

Um dos principais problemas está no mercado de memórias, com fabricantes de componentes priorizando o fornecimento para data centers voltados à IA. Com o setor absorvendo grande parte da capacidade global de produção, outros segmentos sofrem com a redução de oferta e elevam os preços.

Como é de se esperar, o impacto se traduz em menos vendas. No ano fiscal de 2025, a empresa vendeu 16 milhões de consoles, abaixo dos 18,5 milhões do ano fiscal anterior. O resultado também é muito inferior ao apresentado durante a crise de chips que ocorria pela pandemia, há cinco anos, quando vendeu 19,3 milhões de unidades.

Vale reforçar que a alta demanda do mercado de semicondutores faz com que muitas fabricantes já estejam comprometendo seus estoques para os próximos anos. Por isso, possivelmente, só veremos um novo PlayStation daqui a dois anos.

De acordo com fontes ouvidas pela Bloomberg em fevereiro, a companhia avalia o lançamento do PlayStation 6 apenas entre 2028 e 2029, quando espera-se que a indústria esteja estabilizada.

Estúdio comprado pela Sony sofreu desvalorização

Além das vendas do PS5, a Sony também registrou que a Bungie, estúdio comprado em 2022 por US$ 3,6 bilhões, desvalorizou US$ 765 milhões (cerca de R$ 3,7 bilhões). O estúdio, responsável por jogos em franquias como Halo e Destiny, passa por um período de demissões em massa e desconfiança do público, o que gerou o adiamento do próximo jogo da saga Marathon.

Para a Sony, o cenário aumentou a pressão sobre a divisão de jogos justamente em um trimestre já afetado pela desaceleração do hardware.

No resultado geral da companhia, o lucro operacional ficou em 164 bilhões de ienes (cerca de R$ 5 bilhões), bem abaixo da estimativa de analistas, que era de 278 bilhões de ienes (R$ 8,6 bilhões). Além da divisão de games, o encerramento de uma joint venture de veículos elétricos com a Honda também pesou no desempenho do período.

Sony tenta equilibrar receita

Apesar do momento difícil, a empresa projeta um crescimento de 13% no lucro líquido para os resultados do próximo ano fiscal, que se encerra em março do ano que vem. O número deve ser apoiado pelas divisões de música e sensores de imagem.

A área de sensores superou as previsões com o forte volume de remessas para um “cliente importante” do mercado de smartphones, segundo a CNBC. Com isso, a Sony estaria conseguindo compensar parte da queda do negócio de games e a crise de memória.

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