Remake do clássico da Nintendo 64 apresenta desempenho consistente, resolução dinâmica de até 1440p e uma reconstrução visual ambiciosa. Digital Foundry destaca a fluidez da aventura, mas também identifica limitações no tratamento da imagem.
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O retorno de um dos jogos mais importantes da história dos videogames chega acompanhado de uma evolução técnica significativa. A nova versão de The Legend of Zelda: Ocarina of Time, desenvolvida para o Nintendo Switch 2, alcança uma taxa de 60 quadros por segundo com estabilidade impressionante, segundo uma análise técnica publicada pela Digital Foundry em 4 de novembro de 2026.
O desempenho é um dos principais destaques do remake. A avaliação aponta que a experiência permanece próxima dos 60 FPS durante praticamente toda a aventura, com apenas pequenas interrupções ocasionais relacionadas aos carregamentos. Em determinados momentos, essas oscilações são tão breves que a taxa de atualização variável (VRR) do console acaba tendo pouca utilidade para compensá-las.
O resultado representa uma evolução expressiva em relação às versões anteriores: o jogo original do Nintendo 64 operava a 20 FPS, enquanto a edição lançada para Nintendo 3DS alcançava 30 FPS. Agora, a Nintendo busca entregar uma experiência a 60 FPS, aproximando a movimentação, os combates e a exploração dos padrões atuais.
Um salto de desempenho em relação ao clássico
Lançado originalmente em 1998, Ocarina of Time marcou uma geração ao estabelecer referências importantes para os jogos de aventura em três dimensões. A exploração de Hyrule, o sistema de combate com mira Z-Targeting, os quebra-cabeças e a narrativa envolvendo as diferentes fases da vida de Link ajudaram a consolidar o título como um dos trabalhos mais influentes da Nintendo.
Entretanto, as limitações técnicas do Nintendo 64 faziam parte daquela experiência. A taxa de 20 FPS era característica da versão original e podia apresentar quedas em ambientes mais exigentes.
A edição de Nintendo 3DS trouxe melhorias visuais e elevou a taxa de quadros para 30 FPS, mas preservou boa parte da apresentação original. O remake para Switch 2 vai além: reconstrói os cenários, atualiza os materiais, aprimora as animações e moderniza os controles.
A chegada aos 60 FPS não é apenas uma melhoria numérica. Uma taxa de quadros maior proporciona movimentação mais fluida, respostas visuais mais rápidas e uma apresentação mais consistente durante combates e deslocamentos. Isso pode fazer diferença especialmente em situações que exigem precisão, como mirar com o arco, utilizar equipamentos e enfrentar inimigos.
Resolução dinâmica: até 1440p no modo TV
Outro ponto importante da análise está na resolução. No modo conectado à televisão, o remake pode alcançar até 1440p, utilizando resolução dinâmica que, em determinadas situações, pode cair para aproximadamente 1080p.
Isso significa que o jogo ajusta a resolução de acordo com as necessidades de processamento, buscando preservar o desempenho sem comprometer excessivamente a qualidade visual.
No modo portátil, a faixa observada fica entre aproximadamente 720p e 1080p. A versão também apresenta alguns ajustes para se adaptar às características de funcionamento do console fora da base.
Entre as diferenças identificadas estão:
- Distância de exibição de detalhes (LOD) um pouco mais agressiva.
- Filtragem de texturas com qualidade inferior em relação ao modo TV.
- Pequenos ajustes na apresentação dos cenários.
Essas concessões são relativamente comuns em jogos que precisam equilibrar qualidade visual, consumo de recursos e desempenho em um console híbrido.
Por que o jogo não utiliza DLSS?
Um dos pontos que merece atenção é a escolha das tecnologias utilizadas para reconstrução e tratamento da imagem.
Segundo os detalhes reunidos a partir da análise da Digital Foundry, o remake utiliza SMAA em conjunto com FSR 1, em vez de recorrer ao DLSS, tecnologia de upscaling da NVIDIA disponível no Nintendo Switch 2.
A escolha chama atenção porque o DLSS poderia oferecer outra abordagem para reconstruir imagens em resoluções inferiores, potencialmente reduzindo alguns artefatos visuais.
A análise aponta problemas de cintilação em determinados elementos dos cenários, especialmente em detalhes da vegetação. Também foram observadas características de imagem excessivamente acentuadas em algumas situações.
É importante destacar que isso não significa que o jogo apresente desempenho ruim. Pelo contrário: a estabilidade dos 60 FPS é um dos seus maiores méritos. A questão está na diferença entre manter uma taxa de quadros consistente e alcançar a melhor qualidade possível de imagem.
São aspectos técnicos distintos, e o remake parece priorizar uma experiência de desempenho muito estável, ainda que existam oportunidades de refinamento visual.
Hyrule ganha vida com iluminação e materiais mais avançados
A reconstrução visual não se limita a aumentar a resolução das texturas. A Nintendo também trabalhou na forma como os materiais, a iluminação e os elementos ambientais interagem com o mundo.
A análise destaca a utilização de materiais com propriedades físicas mais elaboradas, além de um sistema de iluminação global mais avançado e o uso de oclusão de ambiente.
Na prática, essas técnicas ajudam a criar uma sensação maior de profundidade, volume e integração entre os objetos e os ambientes.
A vegetação também recebeu atenção especial. As plantas apresentam maior variedade e reagem ao contato com Link e à movimentação do ar, contribuindo para que os cenários pareçam menos estáticos.
Outro detalhe interessante envolve Navi. A fada agora funciona como uma fonte de luz, participando da iluminação dos ambientes em que acompanha o protagonista.
Até mesmo objetos quebráveis receberam tratamento mais elaborado: quando vasos são destruídos, seus fragmentos podem permanecer fisicamente distribuídos pelo cenário.
São pequenos detalhes que, somados, ajudam a transformar a apresentação de Hyrule sem abandonar a identidade visual que tornou o jogo tão reconhecível.
Cenários mais detalhados e transições aprimoradas
A reconstrução também alcança áreas importantes da aventura.
A análise aponta mudanças em ambientes conhecidos, com destaque para a região do castelo e áreas que receberam novos detalhes arquitetônicos, vegetação e elementos de cenário.
Uma das mudanças mais interessantes envolve o Castelo de Hyrule e sua cidade. A Cidade do Castelo agora apresenta uma transição totalmente contínua em sua estrutura, sem a necessidade de carregar cada edifício individualmente.
Isso contribui para uma exploração mais natural e reduz interrupções durante a navegação pelo ambiente.
Ainda existem carregamentos entre grandes áreas do mundo, mas a organização dos cenários foi aprimorada para tornar a experiência mais fluida.
Nem tudo, porém, foi simplesmente reproduzido. A Nintendo também alterou e remodelou determinados espaços, demonstrando que o projeto busca reinterpretar o jogo original, e não apenas reproduzir seus ambientes com texturas de maior resolução.
Mudanças na jogabilidade e nos controles
Além dos avanços gráficos, o remake apresenta modernizações na movimentação e nos controles.
Link agora pode saltar por meio de um comando dedicado, e a câmera recebeu controle mais livre pelo analógico direito. A escalada também foi aprimorada: em determinadas superfícies, o personagem pode se movimentar em 360 graus.
O sistema de utilização de equipamentos e a apresentação da interface receberam ajustes, com diferentes opções de HUD para atender às preferências dos jogadores.
O Hookshot também apresenta uma mudança importante: sua utilização passa a depender de pontos específicos de conexão, em vez de permitir que o jogador o utilize indiscriminadamente em qualquer superfície.
As cenas cinematográficas foram ampliadas, com diálogos adicionais e dublagem, enquanto os efeitos sonoros foram renovados e a trilha sonora ganhou uma abordagem orquestral.
O conjunto mostra uma preocupação em tornar a aventura mais acessível aos padrões atuais sem abandonar seus elementos fundamentais.
Nintendo explica por que decidiu reconstruir Ocarina of Time
O projeto também tem uma importância especial dentro da própria Nintendo.
Em uma entrevista oficial publicada em novembro de 2026, os produtores Eiji Aonuma e Hidemaro Fujibayashi explicaram que a reconstrução do clássico está relacionada à celebração dos 40 anos da franquia The Legend of Zelda.
Aonuma revelou que uma das motivações foi permitir que desenvolvedores mais jovens da Nintendo compreendessem melhor a importância histórica de Ocarina of Time, estudando sua estrutura e reconstruindo o jogo para as tecnologias atuais.
A ideia era que esse processo também pudesse gerar aprendizados aplicáveis aos futuros projetos da série.
Outro ponto interessante é a preocupação em preservar a experiência de descoberta que caracteriza o original. Aonuma contou que a equipe chegou a experimentar a inclusão de novos pontos de teletransporte, mas decidiu removê-los depois de perceber que eles poderiam diminuir os momentos de exploração espontânea.
Essa decisão mostra que a modernização não significa necessariamente eliminar todas as características de design dos anos 1990.
Monolith Soft também participou do desenvolvimento
A reconstrução contou com participação da Monolith Soft, estúdio conhecido por seu trabalho em RPGs e por colaborar com a Nintendo em diferentes projetos da franquia Zelda.
A empresa confirmou participação parcial no desenvolvimento contratado, envolvendo elementos de design do jogo, programação e gráficos.
Entretanto, o projeto foi conduzido principalmente pela própria Nintendo, por meio da equipe Nintendo EPD Production Group No. 3.
Entre os nomes envolvidos estão os produtores Eiji Aonuma e Hidemaro Fujibayashi, além do diretor HokWai Ng, do programador Hiroki Taguchi, da artista Aya Shida e do compositor Masato Ohashi.
A colaboração reforça a dimensão do projeto e ajuda a explicar a quantidade de mudanças implementadas na reconstrução de Hyrule.
Comparativo técnico: Nintendo 64, Nintendo 3DS e Switch 2
A evolução entre as três versões pode ser resumida da seguinte maneira:
| Característica | Nintendo 64 | Nintendo 3DS | Switch 2 |
|---|---|---|---|
| Taxa de quadros | 20 FPS | 30 FPS | 60 FPS |
| Apresentação visual | Original | Remasterizada | Reconstruída |
| Resolução | Padrão N64 | 3DS | Até 1440p no modo TV |
| Iluminação | Original | Aprimorada | Sistema mais avançado |
| Câmera | Controles originais | Adaptada ao portátil | Controle moderno |
| Áudio | Trilha original | Trilha adaptada | Trilha orquestral e novos efeitos |
Os números de resolução do Switch 2 variam dinamicamente conforme o modo de jogo e a carga de processamento. Portanto, 1440p deve ser entendido como o valor máximo observado no modo TV, não como uma resolução fixa durante toda a aventura.
O que essa análise representa para o Nintendo Switch 2?
O desempenho de Ocarina of Time é um exemplo interessante do potencial do novo console da Nintendo.
Mais do que demonstrar que um clássico pode receber gráficos modernos, o remake mostra como uma reconstrução cuidadosa pode combinar uma direção de arte conhecida com recursos técnicos atuais.
A estabilidade de 60 FPS é especialmente relevante porque demonstra que a Nintendo conseguiu priorizar a fluidez em uma aventura com cenários amplos, iluminação mais sofisticada, vegetação dinâmica e animações renovadas.
Por outro lado, a ausência do DLSS e os problemas pontuais de reconstrução da imagem mostram que ainda existe espaço para aprimoramentos. Atualizações futuras poderão ajudar a refinar esses aspectos, embora não exista garantia de que isso aconteça.
O resultado geral, contudo, é bastante positivo. A Digital Foundry destaca a consistência do desempenho e a qualidade da reconstrução, colocando o projeto entre as apresentações técnicas mais elaboradas da Nintendo.
Quando The Legend of Zelda: Ocarina of Time chega ao Switch 2?
O remake de The Legend of Zelda: Ocarina of Time tem lançamento marcado para 5 de novembro de 2026, exclusivamente para Nintendo Switch 2.
A nova edição faz parte das comemorações dos 40 anos da franquia e traz uma reconstrução visual completa, controles modernizados, cenas dubladas, trilha sonora orquestral e integração com o serviço ZELDA NOTES, disponível pelo aplicativo Nintendo Switch para dispositivos compatíveis.
O serviço oferece recursos adicionais, como acompanhamento do progresso, registros da aventura, dicas por imagens, uma ocarina virtual e um quiz com mais de 2.000 perguntas.
Para quem viveu a aventura no Nintendo 64, a nova versão representa a oportunidade de revisitar Hyrule com uma apresentação completamente renovada. Para quem nunca jogou o original, pode ser uma das melhores portas de entrada para conhecer uma das obras mais influentes da história dos videogames.
Ocarina of Time não está apenas retornando: está recebendo uma reconstrução à altura de seu legado.
Informações da matéria
- Jogo: The Legend of Zelda: Ocarina of Time
- Plataforma: Nintendo Switch 2
- Lançamento: 5 de novembro de 2026
- Desenvolvedora: Nintendo
- Participação no desenvolvimento: Monolith Soft
- Gênero: Aventura
- Destaque técnico: 60 FPS com alta estabilidade e resolução dinâmica de até 1440p no modo TV.



